O circuito de tráfego padrão é o percurso retangular que as aeronaves seguem ao redor de uma pista para decolagem, pouso e treinamento. Ele organiza o fluxo de tráfego no entorno do aerodromo, garantindo separacao segura entre aeronaves. Dominar o circuito — entradas, pernas, altitudes, velocidades e comunicação — é a base da operação em aeroportos é o primeiro exercício prático de todo aluno-piloto. Neste guia, você vai entender cada detalhe.
Quais são as pernas do circuito de tráfego?
O circuito padrão tem 5 pernas (legs), todas percorridas com curvas a esquerda no padrão normal:
| Perna | Nome em Inglês | Descricao |
|---|---|---|
| 1. Subida/Decolagem | Upwind | Após a decolagem, voo reto alinhado com a pista, subindo até a altitude do circuito |
| 2. Contra-vento/Saida | Crosswind | Primeira curva (90 graus a esquerda), perpendicular a pista, continua subindo |
| 3. Perna do vento | Downwind | Paralela a pista, sentido oposto ao pouso. Você voa na altitude do circuito nivelado |
| 4. Perna base | Base | Perpendicular a pista, inicia a descida e configuração para pouso |
| 5. Final | Final | Alinhado com a pista, configuração completa, pouso |
Qual a altitude e velocidade correta do circuito?
Os parametros variam conforme o aerodromo é a aeronave, mas os valores padrão são:
| Parametro | Valor padrão | Observacao |
|---|---|---|
| Altitude do circuito | 1.000 pes AGL (pistao) | Consulte carta VAC — pode variar |
| Velocidade na perna do vento | 80-100 KIAS (tipico) | Conforme POH da aeronave |
| Distancia lateral da pista | 0,5 a 1 NM | Perto o suficiente para planar até a pista se necessário |
| Inclinacao das curvas | 20-30 graus | Padronizada para circuitos |
Como entrar no circuito de tráfego?
Existem formas padrão de integrar-se ao circuito vindo de fora do aerodromo:
Entrada a 45 graus (padrão)
A forma mais segura e recomendada. Você se aproxima no rumo da perna do vento a 45 graus, já na altitude do circuito, e se integra fluentemente na perna do vento.
Entrada direta (midfield)
Você cruza perpendicularmente por cima da pista ou do meio do campo e entra na perna do vento. Menos comum mas aceita.
Entrada pela final (straight-in)
Direta na final, sem percorrer o circuito. Aceita em aeroportos controlados com autorizacao da torre. Em aeroportos não controlados, exige extrema cautela — outras aeronaves podem estar na base ou final.
Como sair do circuito de tráfego?
As saidas padrão são:
- Saida reta (straight-out): Continue reto após a decolagem sem curvar para o circuito
- Saida a 45 graus: Na perna do vento ou após a subida inicial, curve 45 graus para fora do circuito
- Saida pela crosswind: Curve na crosswind e continue reto para fora da area do circuito
A saida depende da direcao do seu destino e das instrucoes da torre (se houver). Em aeroportos não controlados, anuncie sua intencao na frequência de autoinfo.
Quais comunicacoes radio fazer em cada perna?
A comunicação varia conforme o tipo de aerodromo:
Aerodromo controlado (com torre)
| Momento | Comunicação |
|---|---|
| Antes de taxiar | "Torre [nome], [matricula], patio, solicito taxi para pista [XX], instrução" |
| Pronto para decolagem | "Torre, [matricula], pronto pista [XX]" |
| Perna do vento | "[Matricula], perna do vento pista [XX]" (se solicitado pela torre) |
| Final | "[Matricula], final pista [XX], trem [baixado/fixo]" |
Aerodromo não controlado (autoinfo)
| Momento | Comunicação |
|---|---|
| Aproximacao | "Tráfego [nome aerodromo], [matricula], [posição], [altitude], ingressando circuito pista [XX]" |
| Perna do vento | "Tráfego [nome], [matricula], perna do vento pista [XX]" |
| Base | "Tráfego [nome], [matricula], base pista [XX]" |
| Final | "Tráfego [nome], [matricula], final pista [XX]" |
O que fazer em cada perna do circuito?
Perna do vento (downwind)
- Mantenha altitude do circuito nivelada
- Mantenha velocidade de cruzeiro do circuito
- Execute checklist pre-pouso: combustível, mistura, aquecimento carburador, freios
- Comunique posição
- Identifique a posição de 45 graus em relacao ao ponto de toque — e onde você inicia a base
Perna base
- Reduza potência (início da descida)
- Configure flaps (primeiro estagio: 10 graus tipicamente)
- Mantenha velocidade de aproximacao
- Comunique posição
- Atenção: a curva base-para-final é o ponto mais critico — nunca force a curva (risco de estol/parafuso)
Final
- Alinhe com o eixo da pista
- Complete a configuração de flaps
- Estabilize Vref (velocidade de referência de aproximacao)
- Comunique posição e configuração
- Execute o pouso
Erros comuns no circuito de tráfego
- Circuito muito largo: Perna do vento muito distante da pista — final longa e instavel
- Circuito muito apertado: Pouco tempo para configurar, curvas apertadas, risco de estol
- Altitude incorreta: Confundir AGL com MSL ou não corrigir para a elevacao do aerodromo
- Curva base-final forçada: Aumentar inclinacao excessivamente — cenário classico de spin
- Falta de comunicação: Não reportar posição — perigoso especialmente em aeroportos não controlados
- Não olhar para fora: Fixar-se nos instrumentos em vez de manter vigilancia de tráfego visual
Circuito com vento de traves
Quando o vento não está alinhado com a pista, cada perna do circuito e afetada de forma diferente:
| Perna | Efeito do vento | Correcao |
|---|---|---|
| Perna do vento | Vento de cauda (ground speed maior) | Inicie a base mais cedo |
| Base | Vento de traves pode afastar ou aproximar da pista | Ajuste a proa com crab para manter a trajetoria |
| Final | Vento de proa (ground speed menor) | Mantenha velocidade indicada (airspeed), não ground speed |
O circuito na formação prática e na prova
O circuito de tráfego é o primeiro exercício prático do aluno-piloto é o último antes do primeiro solo. No cheque de proficiência para PP, o examinador avalia:
- Padronizacao do circuito (formato retangular, distancias consistentes)
- Manutenção de altitude (+/- 100 pes)
- Comunicacoes corretas
- Vigilancia de tráfego (olhar para fora)
- Capacidade de adaptacao a condições de vento
Na prova teorica, o circuito aparece em questões de Regulamentos de Tráfego Aéreo. Pratique com simulados online.
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Começar AgoraPerguntas Frequentes
Qual a altitude padrão do circuito de tráfego?
A altitude padrão do circuito de tráfego é de 1.000 pes AGL (acima do nível do solo) para aeronaves a pistao. Para aeronaves a turbina, geralmente 1.500 pes AGL. No entanto, cada aerodromo pode ter altitudes especificas publicadas nas cartas VAC (Visual Approach Chart). Sempre consulte a carta antes de operar.
O circuito padrão e sempre com curvas a esquerda?
Sim, o circuito padrão e com curvas a esquerda, pois o piloto em comando (assento esquerdo) tem melhor visibilidade da pista. No entanto, alguns aerodromos tem circuito a direita para determinadas pistas, por razoes de obstrucoes, terreno ou ruido. Isso e publicado na carta VAC.
Posso entrar direto na final sem fazer o circuito completo?
A entrada direta na final (straight-in) e permitida em aeroportos controlados quando autorizada pela torre. Em aeroportos não controlados, e possível mas deve ser feita com extremo cuidado, pois outras aeronaves podem estar no circuito. A boa prática e integrar-se ao circuito pela perna do vento a 45 graus.
O que e "touch and go" e "stop and go"?
Touch and go: após o pouso, o piloto aplica potência e decola novamente sem parar completamente — usado para prática intensiva de pousos. Stop and go: o piloto pousa, para completamente na pista, e decola novamente — exige pista mais longa. Full stop: pouso completo com saida da pista.
Qual a comunicação correta em cada perna do circuito?
Em aeroportos não controlados (frequência de autoinfo): reporte posição e intencao na perna do vento, base e final. Em aeroportos controlados: solicite e aguarde autorizacao da torre para entrar no circuito, reportando posição quando solicitado. Sempre inclua matricula, posição, altitude e intencao.